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É o fim da música brasileira?

Me incomoda muito quando as pessoas dizem que a música brasileira está perdida, ou que determinado artista é o "salvador" dela. As coisas mudam, nada é pra sempre, e não é porque os artistas e as formas de produzir, divulgar e ouvir música estão diferentes, que estão ruins.  Essas falas tem até um tom eletista, como se certas pessoas fossem inalcançáveis. Minha mãe diz que é sempre assim, as pessoas sempre vão dizer que na época delas era melhor. Mas Ronaldo Bôscoli, o primeiro marido da Elis Regina, cantora que pode entrar nessa lista de pessoas, por contribuir muito para a música brasileira há mais de 50 anos, dizia que os Beatles eram garotos que não sabiam fazer música. É uma opinião de um músico da época. E é assim que os Beatles eram encarados no começo. No começo, os mais velhos diziam que rock era coisa dos rebelbes que queriam fazer barulho. E os apaixonados por Beatles e as tantas personalidades do rock agora são os mais velhos.  Tem duas músicas da Elis que falam s...

Adeus, ano velho

Ano que vem vou entrar no Ensino Médio. E pensar que eu não lembro o básico sobre fotossíntese, por exemplo, me deixa apavorada. Não sei o que vai ser de mim, não sei quem vou conhecer, os erros que vou cometer, as músicas que vou ouvir, mas não vou fugir, não vou parar. Porque sei que tem muita coisa bonita pra se viver.  Eu me envolvi numa situação e continuei cavando e cavando, até perceber que eu não estava ganhando nada com aquilo. Hoje, que já estou mais longe, vejo que eu quis ficar sozinha no escuro por algo tão pequeno, que eu sabia que não me compreendia. Eu achava que não tinha pra onde ir, que tudo era difícil. Mas como eu tanto repeti aqui, é preciso mudar de perspectiva.  Uma coisa que aprendi é que se o mundo é grande demais, com 8 bilhões de pessoas que não se importam conosco, nós não devemos nada a ninguém. É triste, mas como a vida continua, como o sol sempre volta e somos obrigados a continuar, façamos o que queremos. E com isso não quero dizer pra você esq...

Por que suicídio não é a solução

Em um de seus vídeos, Ludo Viajante fala sobre Van Gogh, explicando que em determinado momento de sua vida, depois de tentar muito achar um significado para ela, ele começou a pintar quadros de coisas mais simples, cotidianas, como flores. Isso pode indicar que Van Gogh percebeu que era preciso focar mais no presente, talvez porque ele é a única coisa que podemos mudar.  Outra reflexão feita por Ludo é de que a única coisa da qual devemos ter medo é o tempo, porque ele não para, ele é o único que se mantém constante, e não há nada que possamos fazer para mudar isso. Se você fez ou não o que queria ou tinha que fazer, o tempo passou e as coisas não vão voltar a ser exatamente como eram, o que reforça ainda mais a importância de focar no agora. Eu decidi escrever esse texto hoje depois de ouvir um episódio do Ludocast, em que o Ludo explica que Albert Camus acreditava que, perante o vazio existencial, devemos nos revoltar. No entanto, há um tempinho, eu assisti um filme chamado "Thr...

Respondendo pedidos e perguntas, porque eu sou blogueirinha

Há alguns dias, eu pedi, nos meus status do Whatsapp, para as pessoas me darem ideias sobre o que escrever, já que eu não tinha certeza se era uma boa ideia terminar de escrever o meu último texto, “Quando tem muita coisa mas nada é suficiente”. Me mandaram algumas coisas.  Uma pessoa muito especial, que acredito ser o fã número um do blog, já que veio me cobrar por fazer muito tempo que eu não escrevia nada, me disse: “Fala sobre amor” Eu não achei que tivesse uma resposta bonita para esse pedido, mas acabei de me pegar pensando na definição de amor, e cheguei a uma conclusão: Olaf, o boneco de neve do Frozen, diz em determinado momento do filme que “amar é colocar as necessidades de alguém acima das suas” e eu concordo, pois em um relacionamento (de qualquer tipo) é necessário fazer algumas concessões. Mas acho que faltou falar que essas concessões devem ser feitas para que possamos fortalecer a relação, e não nos enfraquecer. Às vezes a gente precisa focar mais em nós mesmos, e ...

Quando tem muita coisa mas nada é suficiente

Uma coisa engraçada que pode acontecer ao entrar em contato com desafios é você simplesmente se recusar a enfrentá-los. Eu constantemente acho que tem alguma coisa errada mas nunca faço nada para mudar isso. Me dá vontade de correr, fugir dessa sensação de cobrança, porque eu acho isso mais fácil do que colocar as coisas no lugar. E isso acontece o tempo todo, em casa e na escola. Quando eu considero aquilo importante e acho que vai ser muito difícil, que eu vou ter que me expor, eu penso em mil coisas. Se um professor nos pede para escrever um texto e depois apresentá-lo para a turma e eu entendo a importância do tema e constato que poderia falar muita coisa sobre ele, eu me imagino poderosa, com todas as habilidades que eu sei que tenho, desenvolvidas. Mas depois penso que eu não sei explicar tudo direito, que preciso pesquisar mais e que vai ser difícil, vai demorar, eu posso acabar perdendo o foco e… eu não vou conseguir. Aí eu chego em casa, pego meu fone de ouvido e me tranco no ...

"Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" - Resenha

O filme "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" é protagonizado por Evelyn, uma imigrante chinesa que está tentando lidar com a falência de sua lavanderia, a falta de conexão com sua família (marido e filha) e com as críticas de seu pai. Após uma ruptura interdimensional, ela recebe a missão de impedir a destruição do multiverso.  A protagonista precisa acessar as várias realidades paralelas fazendo as mais inacreditáveis e engraçadas bizarrices. Durante esse processo, ela se depara com as múltiplas possibilidades de vida que poderiam ter sido dela. O filme demonstra em algumas cenas o quão importante pode ser, ou não, nossa existência. Sendo essa diferença demonstrada pelas diferentes perspectivas em enxergar o mundo e a realidade. “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" me confortou porque além da ficção científica, aborda temas, sentimentos e questionamentos que são comuns a todas as pessoas e que podem ser, inclusive, potencializados pela internet. Vale destacar que seus pro...

Eu não sou hétero

E u sou uma adolescente de 14 anos e antes do sexto ano (a famigerada 5a série), eu não pensava sobre a minha sexualidade. Eu achava que era uma menina que gostava de meninos, porque sempre tive crushes meninos e a possibilidade de gostar de meninas nem passava pela minha cabeça.  Porém, quando entrei no sexto ano e numa escola nova, conheci uma menina que me fez questionar essa convicção. Ficamos amigas e, aos poucos, comecei a admirá- la e querer passar mais tempo com ela. Interpretei esses sentimentos como sinais de que eu gostava dela (engraçado como a palavra "gostar" já foi usada tantas vezes pra representar uma coisa que é diferente pra cada pessoa, que parece que já até perdeu o significado, assim como "legal").  Como a minha geração está muito mais aberta ao que foge do que é hétero e cis, um pensamento controverso surgiu na minha cabeça depois que eu questionei a minha sexualidade pela primeira vez: eu não consigo (ou simplesmente não quero) me sentir tota...